10 tendências de futuros da mídia: do artesanal ao sensorial
Analisei o relatório "2025 Tech Trends Report" do Future Today Strategy Group. São 1.000 páginas dedicadas ao futuro da tecnologia em 15 áreas, sendo apenas 44 páginas (4,4%) sobre News & Information.

Bem-vindo a um futuro onde o conteúdo terá selo de feito por humanos, IAs caça-fakes e avatares digitais reportando notícias. Isso tudo considerando que apenas 4% das inovações tecnológicas no mundo estão ligadas à área de Comunicação — e nem são tão inovadoras assim, para ser sincero.
Analisei o relatório “2025 Tech Trends Report” do Future Today Strategy Group. São 1.000 páginas dedicadas ao futuro da tecnologia em 15 áreas, sendo apenas 44 páginas (4,4%) dedicadas a projetos em News & Information.
Como eu sou ansioso, analisei o documento e listei 10 tendências. Se me permite o caça-clique: o último é otimista.
📌 1. IA que investiga desinformação
O Washington Post utiliza inteligência artificial por meio do seu sistema exclusivo Heliograf. Originalmente desenvolvido para cobrir as eleições, ele evoluiu para analisar grandes quantidades de dados políticos, detectando padrões de propaganda ou desinformação em redes sociais e discursos políticos. Jornalistas recebem alertas automáticos para pautas importantes, permitindo a rápida criação de matérias ou verificações factuais.
Enquanto você lê, o setor não para. Eu mapeio o que muda em tempo real.
>Veja Sinais de Futuros da Mídia📌 2. Avatares Digitais
O Grupo Fórmula criou avatares digitais especializados para apresentar notícias. São personagens virtuais realistas, treinados para falar diferentes idiomas e adaptados para diversos tópicos jornalísticos, como economia, esportes e política.
O relatório também indica que jornalistas na Venezuela em parceria com a plataforma colombiana Connectas estão usando avatares de IA para reportar notícias evitando sofrer retaliações políticas.
📌 3. SEO contextual
Uma inovação nem tão nova assim, mas… O relatório explica que com o avanço das interfaces de busca multimodais (texto, voz, imagem), os métodos tradicionais palavras-chave evoluem para estratégias que valorizam qualidade da experiência e contexto semântico. Comece a pensar em estratégias de SEO para buscas em IAs.
📌 4. Hiperpersonalização de Conteúdo
Uma “inovação” que já nasce velha, mas aponta para o caminho da hiperpersonalização automatizada de conteúdos. O The New York Times está entregando newsletters com notícias personalizadas, adaptadas ao comportamento de leitura do usuário.
📌 5. “Jornalismo Sensorial”
Termo que começa a surgir no vocabulário tech para falar de conteúdos imersivos… É o uso de AR, VR e IA para criar experiências jornalísticas explorando múltiplos sentidos (visão, audição, tato). O NY Times fez algo assim em 2016 com o projeto “Daily 360” e o The Guardian fez reportagens imersivas sobre conflitos no Oriente Médio. O objetivo é permitir ao público sentir o ambiente emocional da história.
📌 6. Data-Enriched Broadcasting (ATSC 3.0)
A TV 3.0 deve chegar nos próximos anos ao Brasil. Novo padrão de TV aberta que combina transmissão linear com catálogo on demand. Permitirá interatividade, análise de audiência em tempo real e alcance em áreas remotas. Infelizmente, ninguém sabe ainda exatamente como isso tudo vai funcionar e quem disser que sabe estará mentindo.
📌 7. News Literacy
Educar sobre como identificar informações falsas e manipuladas está no centro dos principais debates sobre produção jornalística. Segundo o relatório, pesquisadores do MIT e da Cornell desenvolveram chatbots de IA capazes de persuadirem os usuários a questionar teorias conspiratórias, reduzindo a crença nelas em 20%.
📌 8. IA vs. propriedade intelectual
Editoras (Hearst e Axel Springer) negociaram licenciamento de conteúdo e governos (Australia e Canadá) criaram leis para obrigar plataformas a pagarem por conteúdo usado no treinamento de IA. Enquanto algumas empresas fecham acordos milionários com big techs, outras resistem para proteger seus produtos. O dilema é: perder relevância ou perder o controle do próprio conteúdo?
📌 9. Tsunami de conteúdo sintético
Não é bem uma novidade, mas a tendência é piorar… O avanço da IA generativa está provocando um “tsunami sintético”, gerando fadiga de conteúdos criados artificialmente — texto, imagem e áudio — que parecem reais, mas são superficiais, imprecisos ou até enganosos. Isso inclui desde resumos automáticos de notícias até deepfakes. O volume crescente confunde o público, sobrecarrega a atenção e pode gerar desconfiança generalizada até sobre conteúdos legítimos.
📌 10. Conteúdo “feito por humanos”
Ora, ora… Quem poderia prever? Estamos navegando em um oceano de conteúdo artificial, automatizado, superficial e de baixa qualidade. Isso pode significar que o consumidor irá desejar (e provavelmente pagar para) ter acesso a conteúdo “feito por um humano”.
Num futuro próximo, o selo de verificação de jornalismo artesanal deverá estar disponível nas principais plataformas. Resta saber se haverá uma IA para fazer essa verificação.